sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Como o mundo pode experimentar da misericórdia e do amor de Deus

 “Misericórdia quero, e não sacrifícios, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos (Oseias 6:6)”.


Marco Antônio de Morais Alcantara

 O senso comum da população pode até apresentar conceitos relativos de misericórdia, mas limitados às contingências e tolerâncias, que podem impor limites, e até relativos a sua própria cultura. O puritanismo religioso, por sua vez, não age sempre com base na misericórdia, sendo, muitas vezes polêmico para que o faltoso seja recuperado. Em nenhum destes casos da atuação humana, se pode promover ou restaurar o homem. Qual é a importância da misericórdia para o ser humano, e o que a Bíblia aponta sobre isso?

Para ilustrar o coração do homem, na Bíblia temos o exemplo do profeta Jonas, o qual resistiu a ordem de Deus quando foi por Ele designado para ir pregar arrependimento aos ninivitas, mas ele foi, não obstante ter se distanciado de Deus indo para outra direção, para Társis. Jonas foi e pregou, e o povo se arrependeu. Diante do arrependimento dos ninivitas, e de Deus ter perdoado os ninivitas, e de ter evitado o mal que ia fazer ali, Jonas muito se aborreceu, e se irou pelo que Deus deixou de fazer. Jonas não queria mais viver, e justificou a sua atitude de não ter ido para Nínive, como Deus o ordenara, e ido para Társis, pois sabia que “Deus é clemente, misericordioso, tardio em irar-se, grande em benignidade, e que se arrepende do mal” (Jonas 4:1,2).


Deus procurou Jonas para recuperá-lo, questionando de Jonas a ira que ele abrigava no seu coração.


Jonas se acomodou debaixo de uma enrramada, e repousou sobre a sua sombra enquanto ainda esperava ver o que aconteceria com a cidade de Nínive (Jonas 4:5) .


Aproveitando o momento, ali Deus fez nascer uma planta que subiu pela cabeça de Jonas, e fazia sombra sobre sua cabeça, e Jonas gostou disso, mas no dia seguinte Deus fez com que um verme comece da planta pela madrugada, e a planta secou (Jonas 4:6,7).


Ao nascer do Sol, Jonas se viu desprotegido, de maneira que Jonas reclamou, dizendo: “Melhor é morrer do que viver (Jonas 4:8)”.


Novamente Deus interpelou Jonas pela sua ira, o qual respondeu que “É razoável a minha ira até a morte”.


Deus então lhe ensinou a lição dizendo: “Tem compaixão da planta que não te custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais Jonas 4:9,10)?


Esta é uma história sobre a falta de misericórdia, e dela compreendemos que o sentimento de misericórdia pertence exclusivamente a Deus, e que o homem natural não entende deste sentimento.


Jonas, segundo comentaristas, não perdoava os ninivitas pelas assolações que eles fizeram às outras nações, inclusive à Israel.


A misericórdia brota inicialmente do coração daquele que é o autor e consumador da salvação, daquele que pagou o preço para alcançar a salvação de cada um. Mas mesmo salvos, somos sujeitos a nos esquecer disso.


Deus é o auto do perdão e da salvação.


Deus não nos define pelo dia da nossa queda, ou do dia em que cometemos um pecado histórico.

Deus nos olha pelo que ele vê lá dentro de nós,


Que viu tudo, já nos conhece antes e depois do agora.


Os atos de misericórdia devem ser praticados por nós, ou é somente para serem praticados por Deus?


Jesus disse aos fariseus e religiosos de sua época (Mateus 9:13), relembrando a palavra de Deus : “Misericórdia quero, e não sacrifícios, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos (Oseias 6:6)”.


Nossos atos cerimoniais em nada aproveitam se não forem acompanhados de uma vida de amor e de misericórdia. Muitas vezes nos preocupamos com o nosso status espiritual, nossos cargos, nossa ortodoxia, e nos esquecemos de que tudo isso deve vir de nossa dependência de Deus, e nem pertencem a nós mesmos, quantas vezes queremos adorar a Deus no monte, e nos esquecemos de que logo abaixo existe um mundo que sofre, por razões diversas.


A misericórdia é apresentada por Jesus como uma das bem aventuranças, dentro do sermão do monte, o qual inclui os mais diversos requisitos para uma verdadeira vida espiritual. Podemos ver o exemplo de Abraão, no antigo testamento, o qual intercedeu pela população de Sodoma e Gomorra, antes da destruição destas cidades. Abraão, o pai da fé, foi chamada de amigo de Deus (Gênesis 18: 22-33).


Dentro da igreja, a misericórdia tem um papel relevante. Thiago nos adverte que: “O juízo é sem misericórdia para o que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo (Tiago 2:13)”.


Isto está em acordo com o que disse Jesus na parábola do credor incompassivo, em Mateus 18:21-35). Um homem tinha uma grande dívida para com um senhor, a dívida ia ser executada, mas este implorou pedindo por misericórdia, e foi então perdoado.


Este mesmo homem, encontrando pela frente um devedor que lhe devia uma quantia muito menor do que aquela da qual ele foi perdoado, lhe fez cobranças e ameaças, e da mesma forma o seu devedor lhe implorava por misericórdia. A dívida foi então executada.


Vindo isso ao conhecimento público, a notícia chegou ao grande senhor, que o perdoara. O texto nos diz que este foi submetido aos rigores da lei da qual ele havia sido perdoado.


O uso da misericórdia é importante em especial nos casos de queda e restauração. O que teria sido de Jonas, de Davi, de Pedro, e de outros, se não fosse a misericórdia de Deus?


Um salmo bastante didático neste assunto é o salmo 130. O autor inicia dizendo: “Das profundezas clamo ao Senhor” (Salmo 130:1).


O salmista nos dá a entender que ele necessita do perdão de Deus para o seu restabelecimento: “Se observares, Senhor, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam (Salmo 130:3,4)”.


Ainda, o salmista aguarda uma palavra do Senhor, um livramento para acalmar a sua alma, uma visitação do Senhor. “Aguardo o Senhor, a minha alma o aguarda; eu espero na sua palavra. A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas pelo romper da manhã (Salmo 130:5,6)”

O salmista finaliza o texto fazendo um apelo: “Espere Israel no Senhor, pois no senhor há misericórdia, nele, copiosa redenção. É Ele quem redime a Israel de todas as suas iniquidades (Salmo 130:7,8)”.


Por este salmo nós compreendemos que o sentimento de achar graça e misericórdia importa para a restauração. O texto fala em perdão e redenção, e que em Deus há misericórdia. Nada como o perdão de Deus para nos fazermos sentir validados diante da sua presença.


O apóstolo Pedro nos fala de que o amor cobre uma multidão de pecados (I Pedro 4:8). Começa com o amor daquele que morreu na cruz para nos salvar.


Jesus está hoje nos céus, como sumo sacerdote, para exercer misericórdia para conosco.


“Porém não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas; a nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” Hebreus 4:15,16.



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