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A ÁGUA QUE EU ENCONTREI!

"mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito em em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores" João 4: 23  



Uma história é narrada em João 4:1 a 31.

Jesus estava a caminho da Galileia quando precisou passar por Samaria e parar ali. O motivo pelo qual Jesus estava deixando a Judéia era por razão estratégica, devido ao fato de que os fariseus haviam tomado conhecimento de que Ele fazia e batizava mais discípulos do que João Batista. Estavam estes incomodados com o fator de impacto de Jesus que estava acontecendo sobre a multidão.


Para que eles se abastecessem, o mestre solicita ali aos seus discípulos que eles fossem à cidade para buscar alimentos, enquanto Ele, cansado da viagem, assentou-se à beira de uma fonte, um lugar muito conhecido naquela região, dado por Jacó aos seus filhos.

Após algum tempo, se aproximou dali uma mulher, que vinha ali regularmente para buscar água naquele poço. Jesus quebra o silêncio e então lhe dirige uma palavra, com um pedido; “dai-me de beber”.

Se hoje talvez nós mesmos nos surpreenderíamos com tal atitude de Jesus, muito mais naquele tempo aquela mulher se surpreendeu. Jesus havia quebrado um protocolo, visto que Ele era judeu, e ela samaritana, e judeus e samaritanos não se davam. Acredito que vivemos ainda hoje em um mundo cheio de protocolos diversos de comunicação, alimentados pelos nossos preconceitos, e que envolvem não só as nossas origens, como as classes sociais, econômicas, culturais, raciais, religiosas e outras, que penalizam as comunicações.

A mulher, naturalmente, se surpreendeu e disse: como sendo tu judeu, pedes de beber a mim samaritana? Mas, por outro lado, ela também se sentiu à vontade para dialogar e argumentar com Jesus.

Jesus então se apresentou à mulher, dizendo: “Se soubesses quem é o que fala contigo!”.

Jesus tinha consciência da sua divindade, e não se constrangia de falar sobre ela.

Jesus então oferece à mulher a “água da vida”.

Certamente era uma revolução para a cabeça daquela mulher. Primeiro Ele lhe pede água, e depois, lhe oferece um outro tipo diferente de água. Onde Ele queria chegar, à algum lugar?

Pensando nos meios terrenos, a mulher discute com Jesus, alegando que Ele não tem como tirar a água. Jesus continuou argumentando, que a água que Ele der é diferente, e faz com que a pessoa nunca mais tenha sede.

A mulher então se mostrou interessada naquela água, tendo em vista o caráter prático, de que ela nunca mais precisasse buscar água. Havia um motivo para isso, talvez porque ela sempre aparece anônima na história.

Jesus então lhe impôs um protocolo, para que ela recebesse da água: vai, e chama o teu marido.
Parecia que aquilo era para provocar ou expor aquela mulher, que disse que não tinha marido. Será que ela tinha ou não tinha marido?

 Jesus então lhe disse: “isto disseste com verdade, verdadeiramente não tens marido, porque cinco maridos tivestes, e o que tens não é teu”. Em sua divindade Jesus conhecia tudo sobre aquela mulher, e a surpreendeu quando tocou em seu ponto particular.

Diante disso, perante Jesus a mulher não soube fugir à sua verdade. Ele é Deus, perante o qual tudo está patente. E Ele sabe como tocar em nossas feridas, assim como curá-las. Vai direto ao ponto de cada um. Não sei o que o leitor tem guardado, e que somente Jesus sabe...
Mas confie nele.
Jesus não perdeu a mulher por que tocou em sua vida íntima. Muitas vezes o que se precisa é disto.
Para alguém que estava fugindo de si mesma, ali estava o mestre em quem se podia confiar.

A reação após a continuidade da conversa foi a exclamação da mulher:” Vejo que tu és profeta”.

O impacto daquele diálogo na vida daquela mulher foi tal que ela o aceitou. Jesus se revelara a ela como o messias que haveria de vir, e que a partir de então, viria o dia em que não mais se adoraria a Deus somente em Jerusalém ou em Samaria, mas que os verdadeiros adoradores adorariam à Deus em espírito e em verdade, em um caráter de universalidade.  

Aquela mulher já não era mais a mesma, e passou a testemunhar sobre Jesus. Não obstante os seus possíveis embaraços e constrangimentos vividos, ela foi ao seu povo e disse sobre Jesus, e que ele poderia ser o messias que viria ao mundo. A sua mensagem e o seu testemunho foram acatados pelo povo de seu vilarejo, e muitos vieram ali a crer em Jesus, por terem ouvido a mensagem de Jesus através daquela mulher.  Estes puderam então a crer por eles mesmos.
       
Algumas lições podemos aprender desta história:

-Não podemos esconder de Deus aquilo que somos, e pelo que somos.
-A nossa meritocracia cai por terra quando alcançamos a graça de Jesus.
-Deus é o Deus que intervém em nossas vidas, e pode nos surpreender a qualquer momento, dizendo que Ele nos conhece e nos ama, se revelando a nós, apesar de nossas mazelas.
-Não adianta fugir de Deus, que Ele é soberano. Podemos encontra-lo, abrindo uma porta para dar sentido à nossa vida.
-Enquanto procuramos fugir de Deus, Deus está nos achando...


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